Desde tempos imemoriais que os
Chineses consideram que o universo é constituído por energia em várias fases de
vibração e manifestação. E, agora, os modernos praticantes da física quântica
estão a provar, nos seus laboratórios, o que os antigos orientais souberam
durante séculos: A energia Qi encontra-se nas partículas mais minúsculas que
dão forma e substância ao universo que habitamos. Na verdade, essas tais
partículas, os "blocos de construção" de toda a matéria e forma, não
passam de Qi em vibração. Qi quer dizer, no seu sentido mais amplo, em todo o
lado, em todas as coisas, sempre sem princípio nem fim, ao compasso do tempo,
espaço, matéria, forma, movimento. Tudo é Qi, e Qi é tudo. Tudo o que somos
capazes de imaginar é meramente uma manifestação do Qi numa forma diferente,
indo dos níveis mais sutis, espírito,
pensamento, aura, amor, luz, ar, até às substâncias mais densas e materiais, terra,
pedra, metal, seres animados.
Para aqueles, dentre nós, que
foram criados segundo a cultura ocidental, o conceito de um universo inteiro
feito da mesma "matéria" é uma idéia estranha e difícil. Contudo, se
atentarmos em alguns exemplos simples, facilmente vemos que o Qi como
existência está constantemente a mudar, nunca deixando, todavia, de existir.
Uma gota de orvalho, que se condensa no frio da noite, aquece e evapora-se
durante o dia, erguendo-se para originar uma nuvem, que pode gelar até se
transformar em granizo, cair na terra e voltar a derreter-se em água... Um bocado
de madeira é atirado a uma fogueira, queima-se e flutua no ar, sob a forma de
fumo e cinza, a cinza assenta na terra, onde passa a fazer parte do solo e
nutre uma semente que se transmuta em árvore, cortada para lenha... Estes são
dois exemplos muito simples de como as coisas mudam em forma e substância, continuando
todavia, a existir.
Uma ilustração mais complexa,
e mais demorada, podia ser a da criação do ser humano graças à atividade sexual
de um homem e de uma mulher. O aglomerado de células desenvolve-se para formar
um corpo humano perfeito, que surge no mundo como uma criança. Na pessoa que
amadurece, as células estão constantemente a morrer e a ser renovadas, de
maneira que o adulto não tem as mesmas substâncias carne, sangue e ossos que tinha em criança, embora seja a mesma
pessoa. Por fim, as células morrem, e o corpo decompõe-se no solo, enquanto o
espírito regressa àquilo a que os chineses chamariam "o grande vazio”.
Por estes exemplos, vemos que
as coisas existentes estão num contínuo estado de transformação: mesmo os
processos da vida, crescimento e morte são, em si mesmos, apenas mudanças de
forma a um nível celular muito elementar. O que é comum a todas elas é o Qi. É
o Qi a substância energética de todas as
coisas, assim como é também a força subjacente a toda a mudança e movimento. Em
resumo, todo o universo é composto de Qi, manifestando-se num número infinito
de formas e fases de materialização. O Qi é "o Um" a que se refere à
citação de Lao Tsé:
O
Tao engendra o Um,
o
Um engendra o Dois,
o
Dois engendra o três e
o
Três engendra as Dez Mil Coisas.
Todas
pela sombra sustentadas,
pela
luz enfrentadas
e
pelo sopro eterno harmonizadas.
Lao
Tsé: Tao Te Ching
E é interessante referir que a
maior parte das religiões acentua o papel do número um: o reconhecimento de
Deus, ou o alcançar da unidade.
EXPLICANDO O DIAGRAMA TAI CHI
"O Um engendra o Dois”. O
Qi do universo, no início dos tempos, diferenciou-se em duas forças, Yin e
Yang. A característica do Yang era mais rarefeita, imaterial e mais vasta, e,
portanto, flutuou ascendentemente para formar os Céus. O Yin era mais
condensado e material, afundou-se e originou a Terra. Assim explicava os
antigos filósofos chineses à criação do mundo.
A teoria Yin-Yang descreve
como o Qi se desdobra em diferentes qualidades, e como essas forças atuam entre
si: como teoria data de tempos pré-taoístas e constitui uma visão do universo
baseada em séculos de experiência e observação do povo chinês. Devíamos
observar que se trata de uma teoria, uma concepção intelectual humana, que pode
ser usada para descrever e conferir sentido ao mundo real, tal como o
experimentamos. Yin-Yang é também uma maneira de resumir o movimento do Qi,
descrever como funciona o universo, e é também uma forma de pensar. Trata-se de
uma teoria que tudo encerra e, ao mesmo tempo, um instrumento simples que, uma
vez aprendido, se pode utilizar para explicar todos os fenômenos. Por exemplo:
por que razão certas pessoas se dão bem juntas e outras não, por que motivo
certos indivíduos sentem tendência para um determinado passatempo ou atividade;
pode ainda explicar como escolher pessoalmente a melhor comida, por que se
sofre periodicamente do mesmo tipo de problema de saúde, de que modo sucedem as
mudanças políticas e econômicas, de que forma a lua afeta as marés... e por aí
fora. As possibilidades são infinitas.
Se olharmos para o símbolo
Yin-Yang, vemos que este exemplifica os princípios essenciais à teoria.
1. O círculo simboliza a
globalidade e infinitude do Qi, não tendo princípio nem fim e saturando tudo.
2. A linha que divide as duas
forças é curva, denunciando movimento e um fluxo constante de Yin em Yang, e
vice-versa.
3. Em cada cor há um ponto da
cor oposta. O que mostra que não há absolutos e que cada coisa encerra as
sementes do seu oposto. Yin e Yang podem ser contrários, mas não pode existir
um sem outro: não há alto sem baixo, calor sem frio. E cada um, Yin e Yang,
podem ser também decompostos relativamente ao outro: no quente temos o tépido
(mais yin) e o calor ígneo (mais yang); no frio temos o frio moderado (mais
yang) e o gelado (mais yin).
4. As duas cores estão em
proporções iguais, constituindo um equilíbrio dinâmico. Quando há mais do que
um aspecto, há menos de outro, e nos extremos transformam-se um no outro.
Por conseguinte, a dinâmica de
Yin-Yang é uma teoria muito flexível e que encerra tudo. As suas
características não são exclusivas, mas sim complementares e relativas. A vida
não é preta e branca, tem, sim, uma escala de cores que vai de uma ponta do
espectro à outra, sempre em mudança.
Os significados originários de
Yin e Yang eram "o lado sombrio de uma colina" e o "lado
ensolarado de uma colina", respectivamente. Portanto, Yin estava associado
à escuridão, frio, repouso, sossego; e Yang era o seu oposto, luz, calor,
atividade, movimento. Pela associação, feita mais tarde, de Yang com o Céu e de
Yin com a Terra, atribuiu-se uma série inteira de propriedades a cada
categoria, tendo sempre em mente o relativismo dessas mesmas propriedades. As
principais são:
No que diz respeito à
medicina, Yin-Yang é o princípio fundamental usado para diagnosticar o estado
do Qi em cada indivíduo e para descrever a natureza e localização da doença.
No corpo, as propriedades Yin
e Yang podem ser categorizadas da seguinte maneira:
O princípio Yin-Yang tende a
ser usado como um guia geral para o estado do Qi de uma pessoa. Todos nós temos
uma constituição que tende a ser mais Yin ou mais Yang, por natureza. Contudo,
se a curto prazo as forças Yin ou Yang predominarem acentuadamente no corpo ou
na mente, então haverá um desequilíbrio, provocando sintomas de um tipo ou de
outro. Se nos servirmos das listas acima inseridos para nos darem uma idéia
quanto às propriedades Yin e Yang, veremos que os sintomas ou desequilíbrios
Yang, para falar na generalidade, incluiriam, por exemplo, stress, tensão,
superatividade, febres, "energia bloqueada"; e os sintomas Yin
cansaço, letargia, sensação de estar "drogado", desânimo, "falta
de energia". Graças à teoria Yin-Yang podemos compreender a constituição
de uma pessoa ou as suas tendências a longo prazo, e o seu estado ou os seus
sintomas a curto prazo.
Mestre Sérgio Silva



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