Quando
aplicamos as teorias generalizadas do Yin-Yang e dos Cinco Elementos ao corpo
elas nos fornecem uma descrição muito eficaz das formas como o Qi brota e se
equilibra. Ter saúde exige uma fluência livre e harmoniosa do QI em todas as
partes do corpo, semelhante à maneira de uma rede fluvial correndo
uniformemente pela terra. E como a mente, as emoções e o espírito não passam de
um aspecto menos denso do Qi corporal material do indivíduo, quando ela desliza
suavemente no corpo também se encontra equilibrada na mente e no espírito. É
essa a essência da aproximação holística da medicina oriental. O Qi nos chega
de três fontes básicas:
-O
Qi ANCESTRAL vem dos nossos pais: podemos dizer que é a herança genética e a
constituição básica.
-O
Qi ALIMENTÍCIO é o que ingerimos quando comemos.
-Qi
ETÉREO, ele vem da respiração(Tai Chi Chuan).
Estas
três formas juntas constituem a qualidade do nosso Qi global. E o Qi tem cinco
funções básicas no corpo:
1.
Movimento: O Qi origina qualquer forma de atividade, seja física ou mental,
voluntária ou involuntária.
2.
Proteção: O Qi protege o corpo de influências exteriores, como o frio, o vento,
as infecções, etc.
3.
Calor: o Qi mantém aquecidas todas as partes do corpo, regulando a temperatura
geral e, também, a circulação periférica.
4.
Transformação: o Qi transforma os alimentos nos vários constituintes de que
precisamos para ter saúde.
5.
Retenção: o Qi conserva os órgãos no seu devido lugar, evitando prolapsos,
mantendo o sangue nos seus vasos, etc.
A
teoria da medicina tradicional chinesa
faz uma classificação total e complexa das manifestações diferentes do
Qi no corpo/mente, onde os únicos dois aspectos do Qi em que será útil
repararmos são Jing e Shen. Jing é a energia essencial que governa os processos
prolongados do crescimento, maturação e morte. É responsável pela nossa
capacidade de ter filhos e pelo ritmo a que envelhecemos. A Jing encontra-se
nos Rins. Quanto a Shen traduz-se como espírito ou mente, mas, na realidade,
acompanha ambas essas facetas. Tem a ver com as nossas emoções e também com o
conhecimento e consciência que constituem a nossa personalidade. Diz-se que a
Shen reside no Coração.
CAUSAS
DE DESEQUILÍBRIO
Nunca
há uma só causa, mas sim uma rede de fatores que podem se reunir para se
manifestar segundo um modelo especial de desequilíbrio. A medicina oriental
classifica basicamente as fontes de desequilíbrio em fatores internos ou
emocionais, externos ou climáticos, comportamentais ou através de uma
miscelânea de fatores. As sete emoções principais são: alegria, tristeza, medo,
susto, preocupação, obsessão e fúria. Cada uma delas está associada a um
meridiano específico. Por exemplo: a alegria afeta o Coração, a fúria afeta o
Fígado, o medo afeta os Rins, etc.
Os
fatores externos podem ser comparados a condições climáticas e, de fato, quando
as estações mudam ou há uma alteração drástica do tempo, aparecem com
freqüência sintomas de doenças. Muitas vezes, esses sintomas apresentam as
mesmas características que as condições climáticas causadoras. E, novamente,
possuem associações específicas aos Elementos. Por exemplo: o frio afeta o
elemento Água e provoca sintomas de frieza e tremura; o vento produz sintomas
que se deslocam pelo corpo e está associado ao elemento Madeira; o calor
origina temperaturas altas, suor e sede, que prejudicam o elemento Fogo. A
umidade induz descargas, muco e sensações de peso na cabeça e membros afetando, antes de mais nada, o elemento
Terra; a secura atormenta o elemento Metal e os sintomas que a acompanham
incluem tosse seca, pele ressecada e prisão de ventre.
A
miscelânea de fatores explica-se bem a si mesma: a maneira de viver e o stress,
a alimentação, o nível de atividade física e sexual, lesões, dentadas e
ferroadas, mau tratamento médico e medicação mal utilizada. Compreendendo,
antes de qualquer coisa, de que modo o Qi pode ser prejudicado, chegaremos a
pistas que nos levem a tratar os desequilíbrios daí resultantes.
OS
MERIDIANOS
O
Qi desloca-se pelo corpo todo, mas, em certas vias definidas, flui mais
densamente. E essas vias são conhecidas por meridianos. Por sua vez, os
meridianos formam um círculo contínuo de linhas que permitem a passagem de
diferentes tipos de Qi por todo o corpo. Cada meridiano é designado segundo um
órgão, por exemplo: meridiano do Coração, meridiano da Bexiga, meridiano dos
Pulmões. No entanto, o meridiano não só está relacionado com o órgão, como
também abrange uma quantidade de significados baseados em torno de uma
determinada função. Na realidade, a forma mais simples de definir um meridiano
é em termos de função. Em vez de pensar nele como uma via ligada a um órgão,
devíamos considerá lo como a concentração de uma qualidade funcional energética
especial no corpo. Quando atinge o seu ponto mais intenso, cria aí um órgão
físico para desempenhar a dita função. O conhecimento do local por onde o
meridiano passa tem-se desenvolvido através de séculos de observação e de
experiência clínica, e hoje pode medir-se com instrumentos eletrônicos.
Existem
doze meridianos que correm dos dois lados do corpo e dois canais centrais.
Estão classificados em pares Yin e Yang, por Elemento, e segundo a sua função.
Se imaginarmos alguém de pé, com os braços esticados para cima, os meridianos
Yang correm do "Grande Yang", o Céu, pelas costas e faces exteriores
do corpo num movimento descendente, enquanto os meridianos Yin correm do
"Grande Yin", a Terra, pelas partes frontais e interiores dos membros
num movimento ascendente. Cada Elemento possui uma propriedade energética
especial que regula uma determinada função, função essa desempenhada por um par
de meridianos que são, efetivamente, aspectos Yin e Yang da mesma função ou
qualidade do Qi, funcionando como os dois lados da mesma moeda.
Repararão
que a ordem dos meridianos aqui é diferente da ordem do fluxo dos Cinco
Elementos quando se usa o Ciclo Criador. Isso se passa porque, na Teoria dos
Meridianos, o Qi corre de um meridiano para o seguinte numa curva contínua: o
meridiano dos Pulmões acaba no ponto onde começa o meridiano do Intestino
Grosso; onde acaba o meridiano do Intestino Grosso, começa o do Estômago. E
cada meridiano está ligado, também, a uma determinada hora do dia, quando a sua
energia é mais forte, o que constitui um instrumento muito útil no diagnóstico,
quando se determina a força e fraqueza de alguém. O Ciclo do Relógio Chinês é o
nome por que se designa este aspecto da teoria, e fica assim distribuído:
Mestre
Sérgio Silva



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